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A Festa Colonial registra um expressivo número de visitantes que levam para o resto do Estado e do Brasil um pouco da cultura, gastronomia e da tradição do município de Canela. Para saber quem eram os seus clientes, o casal Beatriz e Luiz Augusto Ferreira começou a anotar em um caderno a cidade de todos os visitantes que passaram pelo seu estande de agroindústria. ”Eu pergunto de onde eles vêm e como souberam da festa. A maioria relata entrar no site da Prefeitura para saber dos eventos”, conta Beatriz. O que começou como uma brincadeira virou uma pesquisa de 2,5 dias que revelou turistas principalmente de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Minas Gerais. Visitantes estrangeiros do Uruguai, Argentina, Itália e Alemanha também foram registrados. ”Fiquei admirada, não imaginei tanta gente de outros lugares”, disse a produtora.

De Balneário Camboriú para a Serra Gaúcha, os catarinenses Airton e Marilene Hermes levam para sua cidade cucas, pães, vinhos, queijo e geleias. O sucesso dos produtos coloniais é refletido nas vendas dos expositores. Marcus Arthur Graff vendeu todas as suas quase 200 unidades de geleias de laranja, araçá, abóbora e goiaba, além de comercializar própolis, mel e chá. Produtor há 8 anos, foi a sua primeira festa como expositor.

Visão e empreendedorismo nas famílias


Quentão de morango, quentão sem álcool e até quentão paulista puderam ser encontrados no estande da culinarista Maria Neusa Camargo, além dos bolinhos de carne com pinhão e de queijo. ”Nossa preocupação é com a qualidade do produto, com o bom atendimento. Isso faz com que os visitantes retornem”, conta Maria Neusa. Preocupação que se estende também com o aperfeiçoando profissional. Os seus dois filhos, Roberta e Saulo, cursam a segunda faculdade, bem como o marido Roberto. ”O aprendizado possibilita inovar, buscar um diferencial”, conta. A família se prepara para abrir, até o final do ano, uma agroindústria de farináceo e processamento de vegetais, com produtos sem glúten e para diabéticos.

Já na Tenda dos Doces, mãe e filhos se uniram na comercialização de 8 tipos de tortas. Expositores há 16 anos, eles relatam sobre essa parceria. ”Um ajuda o outro. Não tem briga. Somos unidos”, conta Gisélia Fattori, filha e irmã de Inês Maria e Virgílio, respectivamente.

Vendas superaram expectativas


Os bolinhos de aipim e batata são grandes sucessos da Festa Colonial. ”O visitante já chega no estande perguntando sobre o bolinho”, conta Marli Meyer Faes. Nesta edição do evento, ela comercializou cerca de 15 mil unidades do bolinho de aipim. A receita caseira, aliada ao gosto de passado e infância, são o segredo do sucesso. ”Os visitantes relatam que lembram de quando eram crianças”, conta Laide de Abreu, que vendeu cerca de 30 mil bolinhos de batata. Segundo ela, as vendas do estande superaram em 15% as da edição de 2009. Já os pastéis de Marilúcia Guimarães da Silva foram procurados também pelos expositores da ExpoCanela, que se tornaram seus clientes aos longo do evento.

Apresentação de produtos para comunidade e visitantes


Três novos expositores aproveitaram a festa para apresentar seus produtos para os visitantes e também para a comunidade canelense. A Vinícola Granja da Telha, Vinícola Jolimont e Alambique Flor do Vale marcaram presença na 17ª Festa Colonial.

”Nosso principal objetivo é apresentar o empreendimento, aberto em outubro de 2009, para a comunidade. Cada dia aumenta o fluxo dos visitantes no alambique”, conta Carlos Fauro, um dos proprietários do Alambique Flor do Vale, que apresentou durante o evento os dois tipos de cachaça produzidos por eles.

Aberta para visitação este ano, a Vinícola Granja da Telha mostrou suas sete variedades de vinho. ”Escolhemos Canela pelo seu ponto turístico estratégico e por gostar da cidade”, conta Daniel Martini, um dos proprietários.

Embora o objetivo maior tenha sido a divulgação do produto, as vendas não ficaram para trás. ”A comercialização superou em 5 vezes o que tínhamos planejado”, conta Evandro Tasca, técnico agrícola da Jolimont, empresa que atua no ramo desde 1948 e trouxe os 11 tipos de vinhos e 2 espumantes fabricados na vinícola.

Artesanato também é atração


O colorido das peças de Elia Maria da Silva chamam a atenção do visitante. Artesã há mais de 20 anos e expositora do evento há 6, o artesanato em tecido se mostrou presente através de bonecos, cavalos de pau e pesos de porta. ”Enquanto exponho, continuo costurando e colocando as peças à venda”, conta.

Já uma série de artigos em vime e junco pôde ser conferida com Silívio Nicolau Staudt. O artesão comercializou cestas, balaios, cadeiras, mesas e tem no ofício a sua fonte de renda. ”Os visitantes falam sobre a qualidade do produto, já que uso vime inteiro na produção”, diz.

A Festa Colonial se encerrou ontem (1º), mas os produtos de artesanato e agroindústria ainda poderão ser conferidos todos os sábados, das 8h às 19h, no mesmo espaço da Festa Colonial.

Retrato da vida do colono


Sábado (31), foi a última apresentação do show ”O canto dos Fortes”, que retratou através de narrativas e músicas a vida do colono nas comunidades rurais. O espetáculo emocionou o público e também os expositores, que se identificaram nas histórias sobre a rotina e o dia a dia daqueles que trabalham na agricultura e pecuária do município.

O Secretário de Cultura do Estado, César Prestes esteve na Festa Colonial de Canela e assistiu o show apresentando por artistas canelenses.

Último final de semana de Festa Colonial

Sex, 30 de Julho de 2010 09:21 Publicado em Prefeitura de Canela

O último final de semana da Festa Colonial de Canela está recheada de atrações. No dia 1º, às 18h30min, ocorre o desfile final das candidatas a Rainhas e Princesas da Festa Colonial 2011. Após, o publico conhecerá aquelas que formarão a corte para a próxima edição do evento. Sete candidatas concorrem ao posto: Ágata Vanessa Santos da Silva, Alice Alves de Oliveira, Andriele dos Santos Leoni, Dione Franceska Pellenz Camargo, Jéssica Tainá dos Santos, Mariele Kazanoski e Sindi Priscila Macedo.

Expectativa


Produtos coloniais, como pães caseiros, cucas recheadas, biscoitos, geleias e doces de variados sabores encantarão os visitantes por mais um final de semana. É a última oportunidade de conhecer as delícias do café colonial de Marina de Moraes. Há três anos, a moradora da Linha Rancho Grande oferece o café no evento. “Queria um cantinho onde pudesse produzir as coisas que faço na cozinha da minha casa”, conta Marina. Chocolate quente, café, suco e uma variedade de risóles, pastéis, pizza caseira, cuscuz, pão e bolo de linguiça são algumas das variedades. No entanto, é a morcilha, o torresmo e o queijo que fazem sucesso entre os visitantes. “Estes itens são o destaque entre os turistas, pois é o que eles não comem nas suas cidades”, garante. Os pães e cucas saem quentinho dos fornos que o filho Gilson de Moraes toma conta. Além dele, os outros três filhos estão ao seu lado no evento: Jean, Jeferson e Giovane, que com apenas 8 anos acompanha a mãe.

Um alambique e muitas histórias


Cachaça de amora, jabuticaba, morango, abacaxi, guapo e mel, uva, suco de uva, canela, amêndoa e também pura e envelhecida em barril de carvalho. São inúmeros os sabores oferecidos no Alambique do Manoel. Até geleia de cachaça com abacaxi com pimenta e geleia de cachaça com figo e amêndoas pode ser encontrado no seu estande.

Tão boa quanto as cachaças produzidas por Manoel Borba de Oliveira é a história do alambique, que se mistura com a sua própria trajetória de vida. Depois de trabalhar 18 anos na cidade, Seu Manoel – como é conhecido – se aposentou e voltou para o interior do município. Com 56 anos, a dúvida apareceu: o que fazer do seu tempo livre? Aproveitando uma fase de elevação no turismo rural e considerando que não havia cachaçaria em Canela, surge, em 1999, o Alambique do Manoel. “Eu não sabia nada. Fui aprendendo na escola da vida”, conta. Assim, ele pesquisou junto a outros produtores e teve orientação de técnicos trazidos pela Emater para dar seguimento ao negócio.

E as inovações não pararam. Da cachaça pura e envelhecida em barril de carvalho, o ano de 2007 marcou o lançamento das cachaças com sabores de frutas, todos criados por ele e encontrados em seu estande na Festa Colonial, que é atendido por Valdecir Altamir Cruz da Conceição, seu filho de criação.

Onze anos após a abertura do alambique, Seu Manoel avalia o progresso do negócio. “Comecei com um alambique com capacidade para 60 litros de garapa, que resulta em 10 litros de cachaça. Hoje tenho um de 500 e tenho como resultado 80 litros do produto”, avalia. Para o crescimento do alambique, ele enfatiza o quanto feiras como a da Festa Colonial são essenciais. “A feira é nossa vitrine. O produto é comercializado para todo o Brasil. A partir dela avaliamos a sua aceitação”, conta. E é também a oportunidade de fidelizar clientes. O produtor tem consumidores do todo o Brasil, como Ceará, Bahia e Minas Gerais.

Programação cultural


Para quem ainda não viu, o sábado (31) terá a última apresentação do espetáculo “O Canto dos Fortes”. A vida do colono é retratada através de narrativas e músicas que contam a vida daqueles que movimentam a agricultura e pecuária do município. Domingo, às 20 horas, o encerramento do evento conta com a banda Champion.

O espetáculo, que é apresentado nos dias 24 e 31 de julho, fala sobre a vida do colono, seu cotidiano, seus hábitos e suas tradições.

Música e emoção: as duas palavras definem o espetáculo ”O Canto dos Fortes”, que teve sua primeira apresentação no dia 17 de julho, durante a 17ª Festa Colonial de Canela.

As próximas apresentações acontecem dias 24 e 31 de julho, às 19h, na estrutura montada ao lado do Centro de Feiras, com entrada franca.

O professor Márcio Boelter que tem suas raízes na colônia, na Linha São Paulo, falou que o espetáculo que apresentou narrativas de fatos cotidianos me emocionaram, embora não sejam histórias vividas cotidianamente pela grande maioria das pessoas, quem vive no meio rural se identificou.

O show fala sobre a vida do colono, seu cotidiano, seus hábitos, suas tradições. O público conhece o dia a dia da vida no interior e histórias sobre um passado não muito distante, guardado na memória. Lembranças sobre o desenvolvimento do meio rural; as saudades da infância na colônia, os desafios de ter que morar na cidade, os namoros, os casamentos, os grandes campeonatos de futebol, o nascimento dos filhos com a ajuda de parteiras, a aquisição dos primeiros veículos de transporte, enfim, relatos que não se lê em nenhum livro, também histórias reais de gente humilde que veio do interior e hoje ocupa cargo importante na sociedade e de pessoas que apesar de morar na cidade, não deixam suas raízes de lado.

A narrativa, de Eduardo Rodrigues, é embalada pelo som de Saulo Reinheimer, Ivair Alves, Matheus Hehn, Cris Souza, Antonio Carlos e Maestro Rogério Heurich, canelenses apaixonados por música e que neste espetáculo viajam no tempo.

“Ter a oportunidade de cantar músicas identificadas com homens e mulheres do nosso interior significa muito mais de que fazer um simples show, e ter a oportunidade de conviver pelo menos uma hora com histórias de pessoas que ajudam a construir nossa cidade” comenta o músico Saulo Reinheimer.