"No dia 18 de novembro de 1835, em plena Revolução Farroupilha, foi criada a Brigada Militar (BM), sendo oficialmente reconhecida em 1837 (grifo não original). Durante sua história, a BM enviou tropas para a Guerra do Paraguai, esteve na Revolução Federalista de 1893, e na Revolução de 1923, que dividiu o Rio Grande entre maragatos e chimangos. Foi o coronel Afonso Emílio Massot quem organizou a instituição, criando a Academia de Polícia Militar, o Hospital da Brigada Militar e o embrião do Batalhão de Aviação, tornando-se o patrono da BM. Em 1930, brigadianos acompanharam Getúlio Vargas até sua chegada ao poder, quando amarraram os seus cavalos no obelisco do Rio de Janeiro. É importante destacar que Getúlio esteve fardado de brigadiano durante toda a revolução. No ano de 1955, surgiu o policiamento em duplas, os chamados Pedro e Paulo, e os Abas Largas, inspirados na polícia montada do Canadá. Durante o Movimento da Legalidade, em 1961, a Brigada Militar foi o suporte armado que ajudou na sustentação da campanha liderada pelo governador Leonel Brizola. Durante a década de 1960, a BM assumiu plenamente o policiamento ostensivo quando foram criadas as Patrulhas Rádio Motorizadas. Com efetivo em todo o Estado, a BM completa os 174 anos atuando em muitas áreas: das Patrulhas Ambientais ao Corpo de Bombeiros" (Fonte: Almanaque Gaúcho – Jornal Zero Hora – 18-11-2011).
Através deste rápido resumo da importância histórico-policial da Brigada Militar procuramos salientar que esta Instituição com quase 200 anos de história no RS vem sofrendo transformações que acompanham o processo evolutivo de nossa sociedade. O novo soldado da Brigada Militar, por exemplo, apresenta uma postura mais crítica e profissional do que o policial de 10, 20 ou 50 anos atrás. A Corporação historicamente deixa de ser uma polícia eminentemente repressiva e autoritária para ser uma instituição preventiva e comunitária. Quantos brigadianos são líderes comunitários e representantes de uma significativa parcela da sociedade? Temos policiais médicos, advogados, enfermeiros, psicólogos, Presidentes de Clube de Serviço, dentre diversas outras atuações no seio de nossa sociedade, atuando ativamente em prol de uma sociedade mais justa e igualitária. Alguns reconhecidos doutrinadores do Direito referem que a Polícia Militar age como um verdadeiro exército da sociedade, a saber: "...de outro lado, e ainda no exemplo, às Polícias Militares, instituídas para o exercício da polícia ostensiva e preservação da ordem pública (art. 144, §5.º), compete todo o universo policial, que não seja atribuição constitucional prevista para os demais seis órgãos elencados no art. 144 da Constituição da República de 1988. Em outras palavras, no tocante à preservação da ordem pública, às polícias milita¬res não só cabe o exercício da polícia ostensiva, na forma retroexaminada, como tam¬bém a competência residual de exercício de toda a atividade policial de segurança pública não atribuída aos demais órgãos. A competência ampla da Polícia Militar na preservação da ordem pública engloba, inclusive, a competência específica dos demais órgãos policiais, no caso de falência operacional deles, a exemplo de greves ou outras causas, que os tornem inoperantes ou ainda incapazes de dar conta de suas atribuições, funcionando, então, a Polícia Militar como um verdadeiro exército da sociedade. Bem por isso as Polícias Militares constituem os órgãos de preservação da ordem pública para todo o universo da atividade policial em tema da 'ordem pública' e, especificamente, da 'segurança pública'" (LAZZARINI, Álvaro. Estudos de direito administrativo. 2.ed. São Paulo: Malheiros, 2004).
Cabe também salientar que os nossos valorosos brigadianos, em sua grande maioria, são oriundos de família humilde, cujos pais são pessoas simples e muitas vezes com pouco estudo. Entretanto, em muitos casos, mesmo sendo possuidores desta simplicidade e humildade, repassaram aos seus filhos valores fundamentais para a formação da personalidade e caráter do indivíduo. Talvez pela cultura do gaúcho, dos valores cívicos e morais que temos orgulho de ostentar Brasil afora, o policial militar gaúcho desempenha suas funções com amor a sua profissão, sendo um protetor zeloso da sociedade gaúcha. Acreditamos, enfim, que este mesmo policial que arrisca sua vida diuturnamente em prol da sociedade, possa ser reconhecido e valorizado como um profissional essencial para a preservação da ordem pública e busca da paz social, recebendo proventos similares aos profissionais da carreira jurídica do Estado, pois entendemos que a nossa profissão é tão importante quanto à do Defensor Público, Promotor de Justiça e Juiz de Direito, outros profissionais fundamentais para a garantia de um Estado Democrático de Direito. Parabéns a todos os brigadianos pelo aniversário da Brigada Militar neste dia de 18 de novembro de 2011 e a todas aquelas pessoas, que mesmo de forma anônima, contribuem ativamente com a nossa Instituição, sendo partícipes e grandes parceiros da segurança pública de nossa região.
