Era uma vez um menino que não gostava de freqüentar a sua escola. João era seu nome. Desde pequenino, o guri não possuía exemplos positivos em sua vida. Já nasceu sem a presença do pai, e sua mãe era alcoólatra e viciada em crack. Sua mãe o teve com apenas 14 anos de idade, já que seus pais, avós de João, jamais tocavam em assuntos de sexualidade em casa, por acreditarem que isto era pecado e que aguçaria a curiosidade da jovem adolescente. Assim que nasceu Joãozinho, seu pai chamado Pedro sumiu da cidade, e nunca mais manteve contato com João ou sua mãe. Moravam em uma casa de madeira muito humilde, mas os avós paternos de João ajudavam a sua mãe, a jovem Maria, doando roupas e alimentos para seu sustento e de seu filho. Após internar-se algumas vezes para tentar largar seu vício, Maria morreu de overdose aos 24 anos de idade. João passou a morar definitivamente com seus avós paternos, os quais contaram que seu pai foi preso por Tráfico e morto por outros traficantes logo após seu nascimento, devido a dívidas que possuía com outros criminosos. Aos 14 anos de idade João já havia repetido de ano na escola três vezes, mas por insistência de seus avós, continuava frequentando a Escola, mesmo odiando ficar em sala de aula ouvindo os professores, os quais para ele não passavam de pessoas frustradas e mal remuneradas, pois tinha alguns amigos, mais novos que seus professores, que recebiam o dobro de salário vendendo drogas a dependentes químicos.
Esta história é fruto da criatividade deste policial, somada as tristes experiências profissionais ao longo de alguns anos na atividade de agente de segurança pública. Por entender que há uma responsabilidade preventiva muito grande atribuída aos agentes aplicadores da Lei (inclusive na própria Constituição Federal), em especial, aos policiais militares, procuro ministrar palestras em Escolas, comunidades e outros locais quando requerido. Sempre admirei o trabalho dos Professores, seja nas escolas infantis, seja nas Universidades. Nunca faltei ao respeito com estes profissionais, pois mesmo com os péssimos salários que recebem, tentam educar as crianças, jovens e adultos de nosso país. O Professor é um Educador nato! A Psicopedagoga MARIA IRENE MALUF (In: Educação. Belo Horizonte: Editora Autêntica, 2007) ressalta: "... as crianças vêm aprendendo a ser agressivas cada vez mais cedo. Aos quatro ou cinco anos já demonstram sinais de hostilidade verbal ou física. Alguns adolescentes também desenvolvem esse tipo de comportamento e condutas explosivas de ira, agressão física e verbal, brigas; ameaças, crueldades e vandalismo começam a se tornar comuns e rotineiros".
Sinto-me na obrigação de compartilhar com outras pessoas o que infelizmente aconteceu nesta semana comigo. Neste semestre, na cidade de Canela, estamos sem o brigadiano que ministra aulas do PROERD (Programa Educacional de Resistência as Drogas e a Violência), que já é Lei no Estado do RS, devido a sua importância preventiva no combate a criminalidade. Em virtude disto, como entendo extremamente relevante o empenho na prevenção na área da segurança, coloquei-me a disposição para a Secretaria de Educação do município a ministrar palestras nas escolas, as quais procuro realizar com muito amor e dedicação. Após realizar uma palestra com mais de uma hora de duração para uma Escola Pública do nosso município, conversando sobre Bullying, Drogadição, entre outros temas relevantes, fui surpreendido como nunca havia sido antes. Já recebi algumas surpresas como: caixa de bombons dos alunos e dirigentes da Escola, chaveiros, garrafa de vinho, cartão de natal, etc. Entretanto desta vez foi algo inusitado: algum aluno quebrou um ovo na parte traseira da viatura policial. Alguns poderão achar engraçado ou até hilário o ocorrido, mas não estão refletindo sobre a verdadeira gravidade do fato. Se crianças e jovens adolescentes entre 11 e 15 anos de idade estão desrespeitando a polícia desta forma, o que poderemos esperar dos pais e do futuro destes jovens? Há algum tipo de autoridade no seio de sua família? As escolas possuem algum mecanismo de controle de disciplina para alunos que insistem em desrespeitar as regras da escola? Crianças e jovens com "problemas comportamentais e disciplinares" possuem acompanhamento psicológico na Escola? Pois é! As regras da vida serão mais duras para aqueles que insistem no caminho do mal! E pena que nossa Legislação Penal Brasileira seja uma palhaçada comparada a países que tratam esta questão com a total seriedade que ela merece. Por fim, se esta Escola precisar de mais palestras para seus alunos, continuamos a disposição para auxiliar, mas novamente eu repito a todos aqueles que podem fazer algo ao seu próximo: "só a Polícia não resolve"!
